Tentando ver o mundo de uma forma diferente
Sou uma jornalista formada tardiamente. Primeiro, escolhi cursar Educação Física, mas desisti do curso por não ter condições financeiras para arcar com as mensalidades da universidade, pois estava desempregada na época. Somente após conseguir voltar ao mercado de trabalho e quitar as dívidas acumuladas durante o período de vacas magras, retornei à faculdade, desta vez para cursar Comunicação Social por estímulo de familiares e amigos, que viram em mim potencial para a profissão de jornalista.
Antes de pensar em uma profissão para chamar de minha, no meu período de infância, gostava muito de fotografia. Até a adolescência, sempre me considerei "a fotógrafa da família", a partir do momento em que tive acesso à primeira câmera comum que pude segurar em minhas mãos. Na faculdade de comunicação, até cheguei a ter, embora brevemente, aulas de fotojornalismo e quase enlouqueci com a variedade de câmeras às quais tive acesso de forma teórica, pois não havia cartão de memória nesses equipamentos.
O tempo passou, mas a vontade de comprar uma máquina profissional nunca saiu dos meus planos, embora fosse financeiramente inviável para mim. Há aproximadamente doze anos, comecei a trabalhar em uma editora, onde fotografar com câmera profissional era uma ínfima parte do serviço. A partir daí, a paixão pela fotografia, que até aquele momento estava adormecida, se tornou o meu objeto de desejo. Fotografava os eventos que a empresa promovia, mas eu queria mais. Porém, a grana curta sempre me lembrava que o jeito era esperar.
No ano de 2017, fui diagnosticada com glaucoma, uma doença que levou anos para ser identificada, e o que parecia ser um simples astigmatismo se transformou em um pesadelo. Durante uma consulta de rotina, uma oftalmologista mediu a minha pressão ocular. E qual não foi a minha surpresa ao descobrir que era possível medir pressão ocular que, naquele momento, estava em impressionantes 35 mmHg, quando o normal é até 21 mmHg: glaucoma. Naquele mesmo ano em que recebi o diagnóstico, fui operada. Mas isso transformou a minha vida, e me tornou mais determinada a realizar coisas que eram importantes pra mim. Pensei: antes que minha visão fique ainda mais comprometida, vou fazer o que gosto. Em 2023 consegui comprar a tão sonhada câmera, embora de um modelo simples, perfeita pra mim. Queria registrar, mas ainda tinha pouca intimidade com o equipamento e zero técnica.
Após quitar as prestações da máquina e diante da possibilidade de uma segunda cirurgia em 2024, me joguei de cabeça na fotografia. Sem pensar muito, me matriculei no primeiro curso que encontrei no Senac e, assim que mergulhei nesse universo cheio de gente apaixonada pela imagem, apaixonei-me também. Comecei a me dedicar cada vez mais e tomei o ofício como uma missão, afinal protegemos aquilo que amamos.
Apesar dos problemas na visão, estou mais apaixonada pela fotografia do que nunca. Sempre que posso, fotografo e apoio outros fotógrafos, pois é sobre paixão que estou falando. Sei que não sou a melhor, mas faço tudo com muito amor. Hoje, vivo um relacionamento sério com a fotografia. Quanto ao glaucoma, ele vai caminhar comigo até o fim dos meus dias, me fazendo acelerar planos, mas também me lembrando, todos os dias, de nunca desistir do que realmente importa: viver o que acredito.
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